Publicado em 20/09/2021 - Notícia

Depois de aumentar renda com pejotização, classe média sente saudades da CLT

Folha de São Paulo

Há cinco anos, o publicitário Maurício Nisi Gonçalves, 52 anos, não pensou duas vezes em deixar o emprego em regime CLT (Confederação das Leis do Trabalho) em uma editora para abrir a própria empresa, e assim continuar prestando serviços de design e produção gráfica ao ex-patrão.

“Eu queria um aumento de salário e a empresa não topou, porque iria aumentar os custos dela. Mas ficou acertado que eu abriria a empresa e prestaria serviços”, diz Maurício, que viu sua renda mensal dobrar desde então, chegando a R$ 20 mil. Ele aumentou o número de clientes, alguns com contratos fixos, e diversificou os serviços, passando a fazer artes para mídia social.

(…) Na opinião do especialista em direito do trabalho André de Melo Ribeiro, do escritório Dias Carneiro Advogados, o fenômeno da “gig economy” —ou economia dos bicos, que começou no setor de tecnologia com plataformas como o Uber, que prometiam que cada um seria o seu patrão— transbordou para as mais diferentes áreas e atingiu a classe média intelectualizada.

“É fato que teremos cada vez menos emprego formal como conhecemos no regime CLT, um modelo criado nos anos 1940 que se mostra cada dia mais distante”, diz Ribeiro. “Mas é preciso que a legislação englobe estas novas maneiras de produção intelectual para garantir um trabalho decente, como preconiza a OIT [Organização Internacional do Trabalho]”, afirma. “O direito tem que refletir os valores da sociedade”.

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